Futebol: Um recorde de longevidade

Depois de cumprir o sonho de ser jogador profissional, “Borrego”, como é conhecido no mundo do futebol, desafiou as probabilidades e aos... 72 anos ainda joga na equipa de veteranos do Ginásio.
“Enquanto tiver pernas para jogar é certo que vou continuar a dar o meu contributo”, garante José António ao REGIÃO DE CISTER, revelando que neste tempo de pandemia sente a falta dos fins de semana desportivos. “Faz-me falta jogar à bola para me manter ativo”, confessa o capitão de equipa. 

Apesar da idade, o esquerdino nota que não tem medo de disputar cada lance com a intensidade de outros tempos. “Umas vezes aleijo-me, mas também ainda faço tremer alguns adversários”, nota o jogador, natural de Vila Viçosa, que joga agora ao lado de João Alegrias, o filho mais velho. “Ele é central e chegamos a jogar muitas vezes juntos e é engraçado porque muitos adversários ficam surpreendidos quando digo que ele é meu filho devido à diferença de idades”, brinca o lateral.

“Borrego” foi um dos fundadores da Associação de Veteranos do Ginásio Clube de Portugal há 30 anos e ainda hoje “joga os seus 45 minutos com muita qualidade”, confirma Rui Alexandre, presidente dos veteranos alcobacenses.

O lateral esquerdo sublinha que estes jogos entre veteranos são um “escape” na sua reforma, considerando ser um jogador que não tem receio de tentar um lance individual. “Se tiver espaço vou no 1x1 com o adversário”, afirma o ex-jogador do Ginásio, confessando ficar  “um pouco triste quando não ganha”. Mas, “no final o que interessa é o convívio”, graceja.

José António tornou-se profissional de futebol ao serviço da U. Leiria, rumando depois ao Marinhense e ao Rio Maior antes de ingressar no Ginásio, em 1979/1980. “Era profissional e sabia que tinha de arranjar um emprego para compatibilizar com o desporto. Então arranjei um emprego numa empresa e vim jogar para o Ginásio”, recorda, contando que o amor ao clube e à esposa, natural de Alcobaça, fez com que se mudasse em definitivo para a cidade.

Em Alcobaça jogou a primeira época orientado pelo nazareno José Adelino, que viria a sair do comando a meio da época, sendo substituído por Artur Santos. “Na época do Artur Santos era capitão de equipa e era o único jogador do plantel que trabalhava e jogava ao mesmo tempo”. “Treinava logo de manhã e ao fim do dia sozinho e à quinta-feira o patrão dava-me folga para ir fazer o treino conjunto com a equipa”, explica o calipolense, que vive há várias décadas em Alcobaça.

“Houve um jogo no municipal que foi do outro mundo. Era um clássico entre Ginásio e Nazarenos (1-0) e de repente apenas vejo os adeptos de ambos os clubes a invadirem o campo, tal era a rivalidade”, relembra o lateral, que representou o clube na 2.ª Divisão nacional (1979 até 1981) e que orientou os azuis à subida à 2.ª Divisão, na época 1989/1990. O ex-técnico comandou a equipa no segundo escalão, e também na 3.ª Divisão e nos distritais.

Nessas equipas estavam atletas com que joga agora, notando ser “um privilégio” ainda hoje jogar com os meninos que treinou. A avaliar pela dedicação e condição física do alentejano de gema, não é de admirar que continue a cumprir os seus 45 minutos. 

“Borrego” não esquece o duelo com Chalana

Durante as duas temporadas em que Borrego jogou em Alcobaça, o Ginásio recebe o Benfica no municipal e o lateral tem a difícil tarefa de marcar Fernando Chalana, um dos jogadores portugueses mais emblemáticos e com um “jogo de cintura” que fazia tremer os adversários.

“Num lance individual o Chalana veio na minha direção com a bola e eu fiz uma entrada mais agressiva para roubar a bola”, relembra. “No exato momento apenas oiço o técnico Artur Santos (ex-Benfica) a gritar comigo para não fazer entradas daquelas sobre os adversários”, conta “Borrego”, revelando que respondeu de imediato.

“Ele não vem para aqui brincar connosco”, graceja, recordando ser um jogador que não tinha medo de ser mais “agressivo sobre a bola”.