Quinta-feira, Maio 7, 2026
Quinta-feira, Maio 7, 2026

Iliteracia Motora

Data:

Partilhar artigo:

“Decreto o estado de emergência de brincar ao ar livre”, foi assim que Carlos Neto, professor catedrático da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, respondeu à questão “Como poderemos ser livres perante o medo do vírus pandémico”?, a propósito do lançamento do livro “Libertem as Crianças”.

O especialista em comportamento motor, que protagonizou, em 2015, a entrevista mais lida e partilhada de sempre em Portugal (“Estamos a criar crianças totós, de uma imaturidade inacreditável”), está de volta com este livro que nos apela à reflexão –  é urgente brincar e ser ativo! Carlos Neto apresenta-nos estratégias para devolvermos a magia da infância aos nossos filhos; pois, segundo o autor, só assim poderemos ter adultos felizes e saudáveis.

Há uma irrefutável problemática de sedentarismo e analfabetismo motor, ou seja, vivemos uma “cultura de iliteracia motora” que urge ser intervencionada sem demoras

Os 40 anos de investigação no campo do Desenvolvimento Motor e Jogo em crianças e jovens demonstram dados assustadores: tendências para doenças cardiorrespiratórias e pulmonares; obesidade; diabetes e problemas do foro psicológico e cognitivo. As investigações demonstram que as crianças brincam menos de uma hora por dia. No século XXI não seria expectável trazer esta questão ao palco das necessidades por ser – o brincar – algo natural e secular. Contudo, verifica-se um declínio do “brincar e ser ativo na infância”.

Região de Cister - Assine Já!

Há uma irrefutável problemática de sedentarismo e analfabetismo motor, ou seja, vivemos uma “cultura de iliteracia motora” que urge ser intervencionada sem demoras. É um problema de saúde pública. O autor diz-nos que este défice de repertório motor pela ausência de movimento vai refletir-se no futuro destas gerações. Controlamos a energia natural das crianças, restringimos a liberdade em detrimento da autonomia; o autor chega a afirmar que a “praga do século” não são as pandemias, mas a geração patológica de pais protetores e inseguros.

O autor pede que “libertem as crianças e as devolvam à natureza”; afirma que não podemos ter só o mundo “na ponta dos dedos”; é preciso senti-lo no “corpo”. Brincar ativa a cognição e promove o sucesso escolar. Ainda que vivamos os efeitos da “pandemia do medo”, sabemos que será transitório; portanto, que não nos sirva de desculpa aquando o regresso da bonança.

AD Footer
Artigo anterior
Próximo artigo

Artigos Relacionados

Quatro projetos apurados na fase regional do Ginásio do Empreendedor

A final regional do Ginásio do Empreendedor decorreu na passada segunda-feira à tarde, no Panorama – Multiusos de...

CTE de informática de Alcobaça recebeu atividade com drones e programação

O Centro Tecnológico Especializado (CTE) de Informática do Agrupamento de Escolas de Cister, em Alcobaça, acolheu recentemente um...

Novas licenças de alojamento local suspensas até regulamento municipal entrar em vigor

A Câmara da Nazaré aprovou por unanimidade, em reunião do executivo realizada anteontem, a prorrogação da suspensão de...

Funcionária afastada após alegado desfalque na Junta

Uma funcionária da secretaria da Junta de Freguesia de Valado dos Frades encontra-se afastada de funções na sequência...

Aceda ao conteúdo premium do Região de Cister!