Segunda-feira, Junho 1, 2026
Segunda-feira, Junho 1, 2026

Jornalismo e desinformação

Data:

Partilhar artigo:

Este foi o ano em que todos os líderes mundiais alertaram para o grave “problema da desinformação”. Supostamente a sua origem seriam as redes sociais, que divulgariam notícias “falsas”. Não restam dúvidas que hoje há uma enorme circulação de propaganda duvidosa e notícias falsas. Não creio, porém, que o seu problema esteja, principalmente, nas redes sociais. O jornalismo está ele próprio – e com a pandemia adensou-se esta questão – numa encruzilhada. Ou há uma rutura com as práticas atuais como a precariedade e a ausência de trabalho em redação ou o seu declínio é ineludível. Vive-se no jornalismo o que chama uma crise total: crise dos proprietários, crise dos meios, crise dos jornalistas, crise de formação. A demonização das redes sociais não resolverá o problema.

Nas redes sociais não há tempo nem meios para se produzir pensamento e reflexão, mas são um excelente lugar de divulgação desse pensamento.

Desde logo nas redes sociais há de tudo – banalidades, vida pessoal, mentiras; mas também divulgadores científicos notáveis, trabalhos seríssimos de académicos, intelectuais e artistas com obras maravilhosas. É uma questão de escala -, tudo é grande: o mau, mas também o bom. Se o que tem má qualidade aumentou, o mesmo acontece com o que tem boa qualidade. Sublinho – as redes sociais não produzem trabalho sério, nem podem fazer. Nas redes sociais não há tempo nem meios para se produzir pensamento e reflexão, mas são um excelente lugar de divulgação desse pensamento.

O problema hoje não é tanto saber distinguir o certo do errado – esse é um problema geral de educação. O problema das redes é que elas são o inferno de excesso de informação – para se chegar a um belo artigo crítico sobre um determinado tema é preciso navegar, durante horas, por textos nem bons nem maus, selfies, memes, anúncios de férias e casas para alugar. Exige um tempo de que não dispomos.

Região de Cister - Assine já!

É aí que volta a entrar o lugar que o jornalismo pode ter. Os jornais diários passaram a substituir, com frequência, reportagens e jornalismo por opinião – casa vez mais superficial. Talvez a solução esteja num retorno ao início. Em vez de fact-check a posteriori precisamos de fact-check a montante, que não é senão outro nome para o Jornalismo. Esperamos do jornalismo artigos de 1 ou 2 páginas, que condensam um trabalho de 2 ou 4 semanas de um profissional, culto, com capacidade de reflexão intelectual, que pensa e investiga, e escreve – sem medo, em diálogo com as melhores práticas, com redações sólidas experientes, trabalho cooperativo, e, evidentemente, com boas condições de trabalho.

AD Footer
Próximo artigo

Artigos Relacionados

Triatlo cross: Alcobacense Miguel Mendes sagra-se campeão nacional de juniores

Miguel Mendes (Clube de Natação de Alcobaça) sagrou-se, este domingo, campeão nacional de juniores de triatlo cross. A...

Futebol: Alcobacense festeja Taça de Portugal pelo Torreense

João Traquina, treinador adjunto de Luís Tralhão, celebrou, na tarde deste domingo, a conquista da Taça de Portugal...

Porto de Mós quase nos mil milhões de euros de faturaçã

Porto de Mós aproxima-se dos 1.000 milhões de euros de faturação empresarial, mas o futuro da economia local...

Alunos do 2.º e 3.º ciclos tiveram palestra sobre literacia financeira

Os alunos da EB 2,3 de Pataias, atualmente a ter aulas na Escola Secundária D. Inês de Castro...

Aceda ao conteúdo premium do Região de Cister!