Segunda-feira, Janeiro 26, 2026
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Lições da pandemia

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As épocas de crise não são absolutamente más, embora, intrinsecamente, o sejam. Pelo seu dramatismo, lançam luz sobre domínios nunca pensados – ou pensados displicentemente. Há mais de 200 anos (em 1816), Napoleão, uma personagem de luz e de sombras, afirmou que a China não estava, como parecia estar na altura, votada ao declínio inexorável. E, como súmula do seu pensamento, proferiu a célebre frase “Quando a China acordar, o mundo tremerá”. O tom profético foi entendido pelo escritor francês, Alain Peyrefitte, que, em 1973, retomando a célebre sentença de Napoleão, escreveu um livro com o título da profecia napoleónica “Quando a China acordar, o mundo tremerá”. Aqui a profecia dava lugar ao raciocínio de que, por serem tantos, os chineses acabariam por dominar o mundo. Nem Napoleão nem Peyrefitte viveram o suficiente para verem as suas intuições levadas a este ponto. Porém, a China foi levada aos ombros, com uma estranha conivência de capitalistas e comunistas. Com efeito, aquela ideia de que os chineses eram um povo de uma sabedoria milenar, plasmada em inumeráveis “provérbios chineses”, tornouse uma realidade – para mim, sufocante e opressiva.

E, não acreditando em teorias da conspiração, há muita coisa que tem de por os putativos defensores do humanismo e da liberdade em sentido: a China será o único país do mundo que, nestes tempos sombrios, sorri e cresce, que envia sondas não tripuladas para a Lua e cuja economia cresce sustentadamente. Ela já não é apenas a “fábrica do mundo”, mas domina já a investigação fundamental, para além de dominar sectores-chave como as (tele) comunicações, a inteligência artificial e a cibersegurança.

A pandemia faz-nos querer voltar à coragem dos antigos gregos e esperar que em todos nós haja um Temístocles ou um Leónidas que, em vez de Salamina ou das Termópilas, elejam a batalha do dia-a-dia para imporem o seu modo de vida, alicerçado na liberdade, individualismo e humanismo. Só assim evitaremos a humilhação de suplicar à China coisas tão básicas como ventiladores. Ou, até, coisas ainda mais simples como máscaras.

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