Segunda-feira, Julho 13, 2026
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Nascer em Alcobaça

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Eu não nasci em Alcobaça. Nem eu, e ao que sei, nem a maior parte dos meus amigos e familiares aqui em Alcobaça. Salvo raras exceções, a maior parte da “minha geração”, que tem laços profundos com Alcobaça, teve de ir nascer à Nazaré, à Marinha Grande, a Leiria, às Caldas. Parecendo que não, isto diz muita coisa desta terra de onde escrevo.

Mais que o marketing de “terra da paixão”, a fazer-se ao piso do amor louco de Pedro e Inês, a verdadeira paixão que eu, pelo menos (e tenho estado atento), encontro em Alcobaça, é a paixão intergeracional das “gentes” pela sua terra. Esta, é demonstrada por várias atitudes e dizeres em voz alta, à mesa dos jantares ou nas redes mas também na iniciativa privada que tanto anima Alcobaça. A “paixão” por Alcobaça até se deixa notar quando anda tudo “à porra e à massa” no Facebook do Presidente da Câmara, ou noutro perfil que se ponha “a jeito”.

Finalmente, esta declaração do amor pela terra, encontra-se também no diminuir do volume de voz quando um Alcobacense de gema revela a outro que, afinal, não nasceu cá, que foi nascer a um dos sítios, acima mencionados, tornando-se alvo da amigável pirraça de quem teve a sorte, extemporânea, de nascer mesmo em Alcobaça.

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Na discussão do que está feito, ou por fazer, mal ou bem, assim ou assado, escorregando no tempo e no dinheiro dos orçamentos que nos explodem nas mãos, faço, ingenuamente, confesso, a pergunta de porque havendo tanto lar, residência sénior e investimentos avultados nos cuidados do “fim da vida”, não se olha seriamente para a opção de dotar Alcobaça com uma maternidade e olhar mais atentamente para o princípio da vida?

Assim, poder-se-ia animar estatística e animicamente uma população que perde números nos censos, de modo a reforçar-se esta identidade que, para mim, vindo de fora, obviamente existe e que levaria muitos pais a fixarem-se na zona onde os seus e filhos e filhas nasceriam, dando novas vidas e alento à paixão pela terra da paixão.

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