Sexta-feira, Novembro 6, 2026
Sexta-feira, Novembro 6, 2026

Iliteracia Motora

Data:

Partilhar artigo:

“Decreto o estado de emergência de brincar ao ar livre”, foi assim que Carlos Neto, professor catedrático da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, respondeu à questão “Como poderemos ser livres perante o medo do vírus pandémico”?, a propósito do lançamento do livro “Libertem as Crianças”.

O especialista em comportamento motor, que protagonizou, em 2015, a entrevista mais lida e partilhada de sempre em Portugal (“Estamos a criar crianças totós, de uma imaturidade inacreditável”), está de volta com este livro que nos apela à reflexão –  é urgente brincar e ser ativo! Carlos Neto apresenta-nos estratégias para devolvermos a magia da infância aos nossos filhos; pois, segundo o autor, só assim poderemos ter adultos felizes e saudáveis.

Há uma irrefutável problemática de sedentarismo e analfabetismo motor, ou seja, vivemos uma “cultura de iliteracia motora” que urge ser intervencionada sem demoras

Os 40 anos de investigação no campo do Desenvolvimento Motor e Jogo em crianças e jovens demonstram dados assustadores: tendências para doenças cardiorrespiratórias e pulmonares; obesidade; diabetes e problemas do foro psicológico e cognitivo. As investigações demonstram que as crianças brincam menos de uma hora por dia. No século XXI não seria expectável trazer esta questão ao palco das necessidades por ser – o brincar – algo natural e secular. Contudo, verifica-se um declínio do “brincar e ser ativo na infância”.

Região de Cister - Assine já!

Há uma irrefutável problemática de sedentarismo e analfabetismo motor, ou seja, vivemos uma “cultura de iliteracia motora” que urge ser intervencionada sem demoras. É um problema de saúde pública. O autor diz-nos que este défice de repertório motor pela ausência de movimento vai refletir-se no futuro destas gerações. Controlamos a energia natural das crianças, restringimos a liberdade em detrimento da autonomia; o autor chega a afirmar que a “praga do século” não são as pandemias, mas a geração patológica de pais protetores e inseguros.

O autor pede que “libertem as crianças e as devolvam à natureza”; afirma que não podemos ter só o mundo “na ponta dos dedos”; é preciso senti-lo no “corpo”. Brincar ativa a cognição e promove o sucesso escolar. Ainda que vivamos os efeitos da “pandemia do medo”, sabemos que será transitório; portanto, que não nos sirva de desculpa aquando o regresso da bonança.

AD Footer
Artigo anterior
Próximo artigo

Artigos Relacionados

A pressão da elite roubou-lhe a felicidade (plena) do desporto. Agora alerta para ajudar os outros

Representou a Seleção Nacional feminina de hóquei em patins em cinco campeonatos do Mundo e em três Europeus,...

Câmara da Nazaré volta a desobstruir foz do Rio Alcoa e pede solução definitiva

A Câmara da Nazaré avançou com a desobstrução da foz do Rio Alcoa, que se encontrava completamente fechada...

Obras de estabilização na Rua Miguel Bombarda já iniciaram e custam 700 mil euros

Encontram-se a decorrer as obras de estabilização do escorregamento na Rua Miguel Bombarda, junto ao cruzamento com a...

Reabilitação dos passadiços de Paredes da Vitória está em fase de conclusão

Está em fase de conclusão a requalificação das infraestruturas de apoio balnear da Praia de Paredes da Vitória,...

Aceda ao conteúdo premium do Região de Cister!