Sábado, Outubro 31, 2026
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Iliteracia Motora

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“Decreto o estado de emergência de brincar ao ar livre”, foi assim que Carlos Neto, professor catedrático da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, respondeu à questão “Como poderemos ser livres perante o medo do vírus pandémico”?, a propósito do lançamento do livro “Libertem as Crianças”.

O especialista em comportamento motor, que protagonizou, em 2015, a entrevista mais lida e partilhada de sempre em Portugal (“Estamos a criar crianças totós, de uma imaturidade inacreditável”), está de volta com este livro que nos apela à reflexão –  é urgente brincar e ser ativo! Carlos Neto apresenta-nos estratégias para devolvermos a magia da infância aos nossos filhos; pois, segundo o autor, só assim poderemos ter adultos felizes e saudáveis.

Há uma irrefutável problemática de sedentarismo e analfabetismo motor, ou seja, vivemos uma “cultura de iliteracia motora” que urge ser intervencionada sem demoras

Os 40 anos de investigação no campo do Desenvolvimento Motor e Jogo em crianças e jovens demonstram dados assustadores: tendências para doenças cardiorrespiratórias e pulmonares; obesidade; diabetes e problemas do foro psicológico e cognitivo. As investigações demonstram que as crianças brincam menos de uma hora por dia. No século XXI não seria expectável trazer esta questão ao palco das necessidades por ser – o brincar – algo natural e secular. Contudo, verifica-se um declínio do “brincar e ser ativo na infância”.

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Há uma irrefutável problemática de sedentarismo e analfabetismo motor, ou seja, vivemos uma “cultura de iliteracia motora” que urge ser intervencionada sem demoras. É um problema de saúde pública. O autor diz-nos que este défice de repertório motor pela ausência de movimento vai refletir-se no futuro destas gerações. Controlamos a energia natural das crianças, restringimos a liberdade em detrimento da autonomia; o autor chega a afirmar que a “praga do século” não são as pandemias, mas a geração patológica de pais protetores e inseguros.

O autor pede que “libertem as crianças e as devolvam à natureza”; afirma que não podemos ter só o mundo “na ponta dos dedos”; é preciso senti-lo no “corpo”. Brincar ativa a cognição e promove o sucesso escolar. Ainda que vivamos os efeitos da “pandemia do medo”, sabemos que será transitório; portanto, que não nos sirva de desculpa aquando o regresso da bonança.

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