Segunda-feira, Fevereiro 9, 2026
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O chão que pisamos

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Já aqui o disse muitas vezes, somos uma terra incrível, tanto que até o barro nos serve de sustento.

Susana Santos

Habitamos estas terras de Cister há tanto tempo! Tanto quanto a arte de moldar argila, que é quase tão velha como os humanos. Conhecem-se vestígios desde o paleolítico. Mas o termo Keramiké é uma herança grega, tal como a associação da pintura à loiça de barro, cujos maravilhosos vasos nos inspiram desde o século V a.c. Também os árabes acrescentaram matizes à arte de fazer a pasta cerâmica, e criaram novas variações e técnicas, possivelmente por influência chinesa, donde, aliás, recebemos grande parte do saber moldar e colorir. Mas é já no Séc. XVIII e graças ao magnífico impulso do Marquês de pombal, que a nossa cerâmica ganha identidade, seja com a loiça das Caldas, seja com a nossa, de Alcobaça.

A cerâmica que hoje conhecemos é resultado de muitas evoluções e é, a bem de todos, uma das indústrias mais sustentáveis e prósperas da nossa região. Já aqui o disse muitas vezes, somos uma terra incrível, tanto que até o barro nos serve de sustento. A nossa argila permite, entre outras, a produção da pasta de cerâmica branca, principal matéria-prima para a indústria que, graças às mãos hábeis dos operários, é permanentemente reinventada e tornada arte, e beleza, e referência de qualidade, tanto no nosso país, como em todo o mundo para onde se exportam tanto as peças utilitárias, como as decorativas. Hoje agradeço aos nossos empresários e trabalhadores da indústria da cerâmica por acreditarem no chão que pisamos e que é tão rico. Oxalá continuemos a extrair dele as melhores pastagens, a melhor madeira, os melhores frutos e legumes, a melhor pedra, enfim, o melhor barro. Saibamos valorizar esta terra e a arte de bem fazer, ora mantendo as tradições, ora inovando. porque, afinal, tudo se resume à criação de uma forma a partir de um bocado de chão, porque tudo o que fazemos está, como cantou Camões, primeiro, no nosso pensamento, depois “o vivo e puro amor de que sou feito, como matéria simples busca a forma”.

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