Terça-feira, Março 31, 2026
Terça-feira, Março 31, 2026

O chão que pisamos

Data:

Partilhar artigo:

Já aqui o disse muitas vezes, somos uma terra incrível, tanto que até o barro nos serve de sustento.

Susana Santos

Habitamos estas terras de Cister há tanto tempo! Tanto quanto a arte de moldar argila, que é quase tão velha como os humanos. Conhecem-se vestígios desde o paleolítico. Mas o termo Keramiké é uma herança grega, tal como a associação da pintura à loiça de barro, cujos maravilhosos vasos nos inspiram desde o século V a.c. Também os árabes acrescentaram matizes à arte de fazer a pasta cerâmica, e criaram novas variações e técnicas, possivelmente por influência chinesa, donde, aliás, recebemos grande parte do saber moldar e colorir. Mas é já no Séc. XVIII e graças ao magnífico impulso do Marquês de pombal, que a nossa cerâmica ganha identidade, seja com a loiça das Caldas, seja com a nossa, de Alcobaça.

A cerâmica que hoje conhecemos é resultado de muitas evoluções e é, a bem de todos, uma das indústrias mais sustentáveis e prósperas da nossa região. Já aqui o disse muitas vezes, somos uma terra incrível, tanto que até o barro nos serve de sustento. A nossa argila permite, entre outras, a produção da pasta de cerâmica branca, principal matéria-prima para a indústria que, graças às mãos hábeis dos operários, é permanentemente reinventada e tornada arte, e beleza, e referência de qualidade, tanto no nosso país, como em todo o mundo para onde se exportam tanto as peças utilitárias, como as decorativas. Hoje agradeço aos nossos empresários e trabalhadores da indústria da cerâmica por acreditarem no chão que pisamos e que é tão rico. Oxalá continuemos a extrair dele as melhores pastagens, a melhor madeira, os melhores frutos e legumes, a melhor pedra, enfim, o melhor barro. Saibamos valorizar esta terra e a arte de bem fazer, ora mantendo as tradições, ora inovando. porque, afinal, tudo se resume à criação de uma forma a partir de um bocado de chão, porque tudo o que fazemos está, como cantou Camões, primeiro, no nosso pensamento, depois “o vivo e puro amor de que sou feito, como matéria simples busca a forma”.

AD Footer
Artigo anterior
Próximo artigo

Artigos Relacionados

Maiorguense distinguida no projeto nacional 50 Vozes

Inês Costa Louro, de 26 anos, integra a listo do projeto nacional 50Vozes, uma inicativa portuguesa que visa...

Jovens procuram mudar paradigma da educação em África

Tarrafal, Cabo Verde, África. Para Margarida Vicente, 26 anos, natural dos Casais de Santa Teresa, em Aljubarrota, nunca...

Ceeria faz obras de fundo na instituição

A tempestade Kristin deixou marcas visíveis no Centro de Educação Especial, Reabilitação e Integração de Alcobaça (Ceeria). As...

Leonel Fadigas distinguido com o prémio “Identidade e Memória”

O professor Leonel Fadigas foi um dos distinguidos pela Associação Portuguesa dos Municípios com Centros Históricos (APMCH) com...

Aceda ao conteúdo premium do Região de Cister!