Quarta-feira, Março 25, 2026
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Perplexidades trumpistas

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O que está feito esta feito e é, em si mesmo, uma barbárie, sem aspas, só possível numa configuração infeliz de uma infeliz história mundial e regional.

Gaspar Vaz

Desde que Israel aproveitou (ou instigou?) um ato terrorista do Hamas para executar um programa de limpeza étnica, sempre me posicionei contra a barbárie perpetrada por Netanyahu.

Os números falam por si e nada justifica que a barbárie do Hamas, consubstanciada em cerca de 1200 mortos israelitas, tivesse servido de justificação para a morte de mais de 40.000 mortos palestinianos e a eliminação de um território sobrelotado agora apontado, pelo desejo de Trump, a uma “Riviera” fantástica.

O que está feito esta feito e é, em si mesmo, uma barbárie, sem aspas, só possível numa configuração infeliz de uma infeliz história mundial e regional.

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Em tempos normais, eu acharia que Trump é um louco, e é. Porém, tem ultrapassado os meus piores receios. Vi uma “conferência de imprensa” conjunta de Trump e Musk na Sala Oval e, mais uma vez, fui ultrapassado pela realidade.

Para mim, a figura central foi um menino bonito, filho de Musk, que, às cavalitas deste, produziu o evento. Esta imagem fala por si e o que ele disse ou deixou de dizer, com a total complacência do velho louco, é mero cenário.

Esta imagem é poderosíssima e temo que a loucura que lhe imputo seja um mau juízo meu.

De facto, como não ver esta minha estupefação ser interpretada como um golpe de asa só ao alcance de um génio como Musk? E esta cena familiar e filial pode transmutar em ternura muito do horror que os inocentes palestinianos sofrem em Gaza.

Lembro-me da fábula da rã e do escorpião.

Ao contrário da fábula, Trump nunca se mostrará amigo de rãs. Pelo contrário, até se dirá capaz de morder mais do que a sua capacidade de morder e, confrontado com a necessidade de morder mesmo, poderá tergiversar, volta atrás…

Porém, seja como for, está a abrir caminho e um caminho perigoso: absolutamente dependente da sua natureza, dirá que matará todas as rãs.

Daí advém a minha maior inquietude: como é possível que uma sociedade, por definição, informada e consciente, se deixe convencer por clowns de circos decadentes?

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