Os alunos do 1.º e 2.º ano do curso Técnico de Gestão e Programação de Sistemas Informáticos (TGPSI) da Escola Secundária D. Inês de Castro apresentaram uma conferência dedicada ao fenómeno “incel”, um tema que tem vindo a preocupar professores e alunos devido à sua ligação ao bullying, ao discurso de ódio e aos riscos associados ao mundo digital.
Este conteúdo é apenas para assinantes
“Incel” é a abreviação de “celibato involuntário” e refere-se a comunidades online de homens, que, por não conseguirem estabelecer relações românticas ou sexuais, acabam por desenvolver sentimentos de frustração, resentimento e misoginia. Durante a apresentação, os alunos explicaram que muitas das situações começam ainda na adolescência, quando rapazes são alvo de comentários depreciativos ou cyberbullying, especialmente por parte de raparigas.
Esse tipo de humilhação pode provocar insegurança, baixa autoestima e até levar os jovens a procurarem refúgio em comunidades online nas quais se reforçam sentimentos de raiva e hostilidade contra as mulheres. “O incel é perigoso porque faz com que as crianças e jovens fiquem desconfortáveis, sem autoestima e sem vontade de ir à escola”, explicaram durante a sessão, alertando ainda que estas dinâmicas podem, em casos extremos, levar a atos violentos ou mesmo ao suicídio.
Um dos exemplis analisados na conferência foi o da minissérie Adolescence, da Netflix, uma produção britânica de drama criminal de 2025 que acompanha Jamie, um rapaz de 13 anos acusado de assassinar uma colega. A série, protagonizada por Owen Cooper, explora os perigos do mundo digital e a forma como códigos aparentemente inocentes podem esconder mensagens ofensivas ou de exclusão.
Nese contexto, os alunos chamaram a atenção para o uso de emojis “com segundas inteções” dentro de algumas comunidades online. Aos olhos de muitos adultos, estes símbolos podem parecer inofensivos, mas entre jovens podem carregar significados específicos e depreciativos. Que o coração vermelho significa amor já todos sabemos, mas sabia que os corações rosa e roxo podem assumir significados ocultos? São utilizados para insinuar que alguém “tem falta de sexo”.
A conferência foi assistida por alunos do 5.º e do 9.º ano, sendo os mais novos os que mais participaram. Vários partilharam experiências pessoais relacionadas com o bullying. Uma aluna contou que já foi alvo de gozo por usar óculos, enquanto um rapaz disse ter sido ridicularizado por ser gordo. Outro estudante relatou que um amigo seu é frequentemente alvo de comentários por gostar de meninos.
No final da apresentação, a professora de informática do curso, Teresa Bagagem, explicou que a iniciativa surgiu porque os próprios docentes se aperceberam de alguns casos de bullying entre estudantes. Segundo a docente, os cursos de informática são maioritariamente frequentados por rapazes, o que levou os professores a notar que estes também enfrentam situações de violência psicológica. “Decidimos abordar o tema para chamar a atenção para estas situações e para pedir às meninas que não façam bullying com os meninos”, afirmou.
Para a professora, a mensagem principal da conferência é simples: promover o respeito entre colegas e incentivar a empatia, para diminuir os casos de bullying nas escolas.


