O Comando Integrado de Prevenção e Operações (CIPO) apelou, na passada sexta-feira, em Pataias, à colaboração da população para evitar comportamentos de risco durante o período mais crítico de incêndios, num período em que decorrem no terreno operações de limpeza florestal na sequência dos estragos provocados pela tempestade Kristin. O apelo do organismo nacional foi deixado durante a visita do secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, à operação de recolha de material lenhoso que está a decorrer junto ao quartel dos Bombeiros Voluntários de Pataias, numa área florestal situada entre a Estrada Atlântica e o acesso a Paredes da Vitória.
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A mensagem das entidades alertou para o que é, afinal de contas, uma evidência. Qualquer incêndio nesta fase poderá obrigar a desviar operacionais das frentes de limpeza para o combate às chamas, agravando as condições de perigo e comprometendo parte do trabalho já realizado. Num território onde continuam visíveis milhares de árvores partidas, tombadas ou já cortadas, a prevenção passa também pela responsabilidade individual.
No local, a dimensão dos prejuízos provocados pela tempestade continua bem visível. Até onde a vista alcança, há árvores caídas, troncos acumulados e vários montes de madeira a aguardar transporte. O terreno, pertencente ao Estado, está a ser intervencionado no âmbito de uma operação considerada prioritária para reduzir riscos e repor condições de segurança numa das zonas mais afetadas pela intempérie.
O coordenador do CIPO, Elísio Oliveira, sublinhou que a operação só tem sido possível graças a um trabalho integrado entre entidades nacionais e locais. “Não conseguiríamos fazer aqui o nosso trabalho se, no âmbito local, quem conhece o terreno não integrasse também este dispositivo”, destacou o operacional, valorizando o papel das autarquias, juntas de freguesia, bombeiros, GNR e sapadores na orientação dos meios deslocados para o território.
A intervenção envolve elementos da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro, da Força Especial de Proteção Civil e equipas de sapadores florestais do ICNF vindas de vários pontos do País, “desde Trancoso até ao Algarve”. Elísio Oliveira realçou que os operacionais trabalham em condições difíceis, com calor intenso, terreno instável, risco elevado e equipamentos sujeitos a grande desgaste. “O risco é tão elevado como combater um incêndio”, fez notar o coordenador.
As prioridades do CIPO são definidas com base em critérios técnicos e científicos, tendo em conta a proximidade a habitações, estradas, infraestruturas e zonas de maior perigosidade. A estimativa apontada ultrapassa os dois milhões de metros cúbicos de madeira tombada, um volume que deverá exigir anos de trabalho até estar totalmente resolvido, reconheceu o secretário de Estado.
Durante a visita, a equipa de sapadores da CIM Oeste fez uma demonstração com um dos dois drones de monitorização adquiridos pela comunidade intermunicipal. A tecnologia permite observar áreas extensas, apoiar a identificação de zonas críticas e acompanhar a evolução dos trabalhos, sobretudo em terrenos de difícil acesso ou onde a queda de árvores tornou a circulação mais perigosa.
Rui Ladeira destacou a importância de “conjugar esforços” e garantir que todas as entidades continuam empenhadas em obter os melhores resultados depois da “desgraça” provocada pela tempestade. O governante reconheceu que “há muito por fazer”, mas sublinhou que não há memória recente de uma mobilização desta escala, com efeitos concretos na proteção do território.
O presidente da Câmara de Alcobaça e da CIM Oeste, Hermínio Rodrigues, salientou o trabalho desenvolvido desde 28 de janeiro em parceria com o Município da Nazaré. Na presença do edil nazareno, Serafim António, o autarca destacou que as duas câmaras têm atuado em articulação permanente, numa lógica de entreajuda no terreno.
Hermínio Rodrigues realçou ainda o papel dos sapadores da CIM Oeste, que classificou como “anjos da guarda de Alcobaça” ao longo dos últimos quatro meses, por terem permanecido no território desde o início da resposta.


