Segunda-feira, Janeiro 26, 2026
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O ano velho e os meus velhos

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Por favor, não confundam velhos com idosos. Os meus velhos são gente de bem, e talvez por isso eu goste tanto dos amigos com cabeça de velho.

Susana Santos

Nesta última edição de 2024 não vou falar do ano velho, prefiro velhos bons e este não foi um ano bom. Morreram em vão demasiadas pessoas, em guerras fratricidas ou cínicas ou imperialistas, às mãos de tiranos e de loucos. Neste ano que agora termina, ninguém quis saber dos velhos. E os velhos, esses sim, merecem ser lembrados e ouvidos e reconhecidos.

Eu sempre gostei de velhos. Seja porque já viveram muito e acumularam muita experiência e sabedoria, seja porque viveram depressa demais. Por favor, não confundam velhos com idosos. Os meus velhos são gente de bem, e talvez por isso eu goste tanto dos amigos com cabeça de velho.

Será por egoísmo, porque aprendo com eles, ou porque são sempre mais interessantes do que o resto das pessoas. Conheço velhos muito mais novos do que eu, como o meu filho, por exemplo, outros andam pela minha idade e outros já me levam algum tempo de avanço. Em comum têm a tranquilidade de quem gosta da solidão e a tolerância de se deixarem acompanhar. Também partilham o amor pelo silêncio e pelos livros. São normalmente muito bem-humorados e possuem milhões de histórias na cabeça. Às vezes contam-mas, porque os meus velhos são sábios e pacientes.

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Se pudesse, plantava um enorme jardim com todos os meus velhos. Depois deitava-me à sua sombra e ficava ali muito tempo, até que a velhice deles me contagiasse a mim, para poder olhar o mundo como eles o olham. Com a compaixão de quem o entende bem e a esperança dos que acreditam na beleza.

O único lamento que tenho em relação aos meus velhos é terem a mania de morrer. Perdoo-lhes quando se vão por cansaço e excesso de idade, mas os que são levados por terem vivido depressa demais, dado demais, sabido demais, a esses, levo mais tempo a aceitar que se foram embora e que já não os posso abraçar.

Seja como for, é de velhos que eu gosto. De gente que tem memória, que a cultiva e a enche de história e de imagens, de factos e de teorias. Pessoas que querem saber e nunca desistem de aprender, enfim, velhos que gostam de ensinar.

Talvez por isso muitos dos meus velhos sejam professores e alguns, os mais novos, sejam estudantes. Outros são apenas observadores. São os mais difíceis, os mais silenciosos e, também, os mais sábios. Vivam os velhos no Ano Novo!

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