O Centro de Educação Especial, Reabilitação e Integração de Alcobaça (Ceeria) inaugurou, na passada sexta-feira, o novo Lar Residencial e Centro de Atividades e Capacitação para a Inclusão (CACI) da Quinta do Cidral, em Alcobaça, num momento considerado histórico para a instituição que este ano assinala meio século de existência. A cerimónia contou com a presença da ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Rosário Ramalho, do presidente da Câmara de Alcobaça, Hermínio Rodrigues, do diretor do Centro Distrital da Segurança Social de Leiria, João Paulo Pedrosa, entre outras entidades, além da comunidade em geral.
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Enquadrada pela paisagem verde da encosta do Cidral, foi apresentado o projeto agora terminado: um novo lar residencial, com capacidade para 20 pessoas com deficiência e incapacidade, e um novo espaço para funcionamento do CACI, destinado a 90 das 120 pessoas apoiadas pela referida valência da instituição. A nova estrutura representa um investimento total de 2.895.010,18 euros. O lar, com um valor total de 1.405.345,04 euros, foi financiado pelo PARES em 464.560 euros. Por sua vez, o CACI, com um valor total de 1.489.665, 75, foi financiado pelo FEDER em 941.756,17 euros.
Durante a cerimónia de inauguração, o presidente da Direção do Ceeria, afirmou que a obra “representa a concretização de um sonho da instituição”. Do alto de Alcobaça, o novo complexo foi pensado como muito mais do que um conjunto de edifícios. Em declarações ao REGIÃO DE CISTER, a vice-presidente do CEERIA, Maria Helena Freitas, explicou que o conceito passou pela criação de uma verdadeira “cidade inclusiva”. “Ao construir esta estrutura e ao reabilitar e redefinir todas as outras, construiu-se uma ‘cidade inclusiva’, onde temos definida a zona residencial, o lar, a ‘escola’, o CACI – onde, de acordo com os seus interesses, as pessoas que apoiamos desenvolvem as suas atividades –, a zona industrial, a futura estrutura da ‘Casinha de Papel’ – onde se produzirá papel reciclado e objetos de cerâmica –, a zona social – com um café inclusivo, um refeitório e um espaço de jogos e lazer –, e os espaços verdes, nomeadamente jardins exteriores, com estruturas para descansar e confraternizar”, detalhou.
A visão estende-se também à promoção da autonomia e da inclusão no quotidiano. O espaço conta com sinalética inspirada em sinais de trânsito reais e passadeiras destinadas ao treino de deslocações em segurança. “Nada sobre nós sem nós”, sublinhou Maria Helena Freitas, referindo que o projeto foi desenvolvido em conjunto com colaboradores, famílias, empresas, município e as próprias pessoas apoiadas pela instituição.
Pedro Pombo destacou ainda a transformação do espaço envolvente, onde foram criadas zonas verdes e áreas de descanso, incluindo um miradouro, sublinhando a intenção de proporcionar “vivência próxima da comunidade, com espaços verdes, luz e espaços de lazer”. O responsável anunciou também uma candidatura ao PRR para recuperar uma estrutura em ruínas onde irá nascer a “Casinha de Papel”, um futuro espaço dedicado a projetos de cerâmica e reciclagem de papel.
A inauguração assume particular simbolismo num ano em que o Ceeria celebra 50 anos. Há precisamente 25 anos, quando a instituição assinalava o 25.º aniversário, tinha sido inaugurada a primeira residência no Lameirão, destinada a dez pessoas com deficiência. Agora, um quarto de século depois, o novo lar residencial duplica a capacidade e oferece condições mais modernas e adaptadas. O Lar Residencial tem capacidade para acolher 20 pessoas com deficiência e incapacidade. 16 dos novos residentes transitam do Lameirão – onde o Ceeria mantinha até então a resposta residencial – e os restantes quatro já eram apoiados pela instituição em contexto de CACI e aguardavam vaga. As instalações do Lameirão ficam, para já, encerradas.
A obra do lar representa um investimento a rondar os 700 mil euros, comparticipado em 65% pelo Programa PARES 3.0. A Câmara Municipal suportou 7% do valor e os restantes 28% foram assegurados pelo Ceeria através de capitais próprios. Apesar do reforço da resposta, a procura continua elevada: a instituição conta atualmente com uma lista de espera de 31 candidatos internos e 23 externos.
O novo CACI, por sua vez, não representa uma nova valência, mas sim uma reorganização e modernização das respostas já existentes. Os antigos CAO (Centros de Atividades Ocupacionais), entretanto renomeados a nível nacional para CACI, funcionavam anteriormente dispersos entre o palacete da sede e a Quinta das Freiras. Com a mudança, o palacete passa agora a acolher exclusivamente os serviços administrativos.
“O CACI passa a ter as condições necessárias ao seu funcionamento, com espaços próprios e diferenciados para todas as atividades que realiza”, explicou Maria Helena Freitas ao REGIÃO DE CISTER. Entre os novos espaços encontram-se ginásio, sala de psicomotricidade, sala de psicologia, áreas para o grupo de autorrepresentação e espaços destinados ao trabalho com empresas exteriores, além de zonas dedicadas à leitura e expressão artística. Na Quinta das Freiras, o polo 4 mantém respostas específicas para pessoas com maior dependência, incluindo um tanque terapêutico recuperado pela atual Direção, sala de snoezelen e espaços de estimulação sensorial e motora.
O CACI passa agora a dar resposta a 90 pessoas e conta já com uma lista de espera de 30 candidatos.
Atualmente, o Ceeria apoia mais de mil pessoas com deficiência e incapacidade e conta com mais de uma centena de colaboradores. Fundada a 3 de dezembro de 1976, a instituição foi reconhecida como Pessoa Coletiva de Utilidade Pública em 1980 e registada como IPSS em 1990.
Na intervenção que marcou a inauguração, Hermínio Rodrigues destacou o papel do setor social no concelho e aproveitou a presença da ministra para deixar um apelo ao Governo.
“O setor social precisa de um Estado forte, presente, previsível e, acima de tudo, comprometido”, afirmou, defendendo “financiamento adequado, estabilidade nas respostas e reconhecimento efetivo pelo papel insubstituível” das instituições sociais. O autarca classificou o novo equipamento como exemplo de “uma sociedade mais justa, mais humana e mais comprometida com as pessoas”, considerando que o Ceeria é hoje “uma referência no concelho de Alcobaça, na região e no país”.
Já a ministra sublinhou a importância do investimento público em respostas sociais, frisando que “não é uma despesa, mas um investimento”. Rosário Ramalho destacou ainda os 50 anos da instituição, reconhecendo as dificuldades inerentes ao trabalho desenvolvido na área social. “Trabalhar no setor social é difícil”, afirmou, elogiando simultaneamente as novas instalações: “Isto está lindíssimo”, sublinhou.
A governante salientou ainda que o apoio às pessoas com deficiência “é uma preocupação do Governo”, considerando que o novo lar e o CACI representam “uma prova dessa intenção”, numa lógica de integração e promoção do bem-estar dos utentes. A cerimónia de inauguração, que contou com a presença de fundadores do Ceeria, bastante participada pela comunidade, incluiu momentos musicais, visita às novas instalações e um almoço-convívio aberto à comunidade.



























