Café Damásio é ponto de encontro no Bárrio há mais de um século

Com mais de um século de vida o café Damásio, localizado em Pinhal Fanheiro, no Bárrio, já foi ponto de encontro de diferentes gerações e chegou a ser o único espaço comercial daquela localidade. Hoje em dia, os clientes são menos, mas a população continua a estimar o espaço e o seu proprietário. De tal forma que há até uma rotunda “batizada” com o nome do café.

É com alguma nostalgia que José Paulino de Sousa, atual proprietário do café, recorda o dia em que assumiu o legado deixado pelo sogro, conhecido na localidade como “Damásio”. “O meu falecido sogro era um homem com espírito empreendedor  e tinha vários negócios neste local, entre os quais venda de adubos, uma modesta taberna e uma mercearia. Na época, esta era uma zona com muito poucas habitações e nenhum comércio”, relembra o octagenário. 

Após a morte do sogro, José Paulino de Sousa geriu o espaço ao lado da mulher, até que a vida “pregou uma valente rasteira”. “A minha mulher ficou gravemente doente e acabou por falecer. Foi desta forma que, infelizmente, assumi o negócio. Foi uma época complicada”, desabafa.

A verdadeira paixão de José Paulino de Sousa sempre foi a agricultura e durante largos anos conciliou ambas as responsabilidades. “Contava com o apoio de uma funcionária e então passava os dias no campo. Aproveitava o café também para vender alguns dos produtos que plantava e então era quase um café e uma humilde mercearia em simultâneo”, graceja o homem, que tem garantido o funcionamento do café nos últimos anos.

O espaço é modesto, mas “se as paredes falassem teriam muito para contar”, diz José Paulino de Sousa. “Já passou tanta gente por aqui e embora hoje o negócio esteja muito mais fraco a verdade é que houve uma época em que tive casa cheia”, afiança. Entre os cafés e as cervejas, há também chocolates, bebidas espirituais e vários retratos de Nossa Senhora de Fátima e um espaço que criou para as suas leituras. E como mais vale prevenir do que remediar, também há medicamentos nas prateleiras do café. 

Os dias de José Paulino de Sousa são agora passados à porta do estabelecimento, “a descansar, a cumprimentar os vizinhos e a esperar um ou outro freguês”. O futuro? Essa não é uma preocupação para o barriense, que revela ser feliz a ver a vida passar em frente ao café. “Sou feliz aqui, é a minha casa e de toda a gente que vier por bem”, garante o genro de Damásio, que deu nome à rotunda do Pinhal Fanheiro pelo facto de o café estar instalado a poucos metros da rotunda. “Obviamente que não é nada oficial, é uma brincadeira entre as gentes da terra”, diz, entre risos.