Passadeira

Corredor da sorte

São quase 9 da manhã e já começaram as corridas. Ir levar o meu filho à escola é, por vezes, um filme tipo Velocidade Furiosa. Se é verdade que em Alcobaça se vive a velocidade de cruzeiro, isso nem sempre se passa ali na passagem de peões que atravessa o jardim do Tribunal para a Rua João De Deus. Eu já fui quase passado a ferro uma mão cheia de vezes. Sendo a rua larga, perto de uma rotunda, o automobilista, que devia observar cautela, tenta mesmo assim, ultrapassar quem já “por especial favor” parou na passadeira para (mesmo que de má vontade) deixar passar os peões. Já me olharam furiosamente nos olhos mamãs com a respectiva criança na cadeira atrás, e hoje, um velhote que me mandou para aquele sítio que rima com soalho...

Confesso que já me detive no meio da passadeira - para não ser atropelado - e a gesticular, chamei-lhes malucos por acelerarem em cima de uma “zebra”, com crianças e pais por perto. Quase “atropelado” e “ofendido”, nem por isso deixo de subir e descer as nossas ruas. Gosto de andar a pé… mas na passadeira do cinema a mesma coisa. A jovem pede-me desculpa, abençoada seja, mas parar é que nada. Depois ao pé do Pão de Mel, uma carrinha do Bricomarché... siga para bingo. Eu dou-lhe um toque com os nós dos dedos na chapa, não por mim, mas pela senhora grávida que o condutor ignorou também. Fica parado à esquina, chateado com o barulho, armado em valentão do asfalto. Quantos são? Onde pára a Polícia?

Não sei que embirração têm os Alcobacenses que não param onde devem. Falando em filmes lembrem-se também daquele com o Michael Douglas (Um dia de raiva) em que ele arrasa com uma cidade inteira. No entanto, se  vida não é um filme, a estupidez também não é ficção. Só espero é que o argumento nunca se baseie numa historia verídica de alguém que passou numa passadeira em Alcobaça e nunca mais lá voltou.