Segunda-feira, Março 16, 2026
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Erasmus+ e Globalização: o Desafio

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Poucos nomes de programas poderiam ser mais acertados do que o de “Erasmus”. Nascido em 1466, em Roterdão, esse facto foi para Erasmo apenas uma circunstância, e nunca um destino. Vivendo numa época difícil, num terreno perigoso, nunca se deixou acorrentar por quaisquer destinos, por quaisquer dogmatismos. Percorreu praticamente toda a Europa, dando aulas nas suas universidades mais famosas, como Paris, Bolonha, Oxford, Cambridge, Lovaina, Basileia… Nunca foi um seguidor, sem critério ou crítica, de qualquer facção – o que, por essa altura, era a regra na Europa: o “Príncipe do Renascimento”, sendo sempre igual a si mesmo, nunca se deixou apanhar no fogo cruzado do dogmatismo.

Por estes dias, o Agrupamento de Escolas de Cister, por intermédio da Escola Secundária D. Inês de Castro, está a viver uma experiência exaltante: professores e alunos da Turquia, da Itália, da Estónia e da Lituânia estão connosco, sob a égide do programa ERASMUS+. Dentro de alguns meses, os nossos alunos estarão nesses países, recolhendo novas experiências e visões.

O que se pretende? 

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Que alunos e professores, independentemente dos países de origem, das suas culturas e línguas maternas, falem sobre um desígnio comum: como sermos melhores cidadãos, mais cultos e tolerantes.

Porém, logo desde o início, nos apercebemos de uma magna dificuldade (cuja resolução estava entre os grandes desígnios de Erasmo de Roterdão): há neste projeto cinco línguas maternas diferentes, de três famílias linguísticas diferentes. Se extrapolarmos para toda a Europa, contaremos com mais de 60 línguas. Só a EU reconhece 24 línguas oficiais… Nenhum projeto comum sobreviverá a tanta diversidade.

Não sei se já ouviram falar na Unbabel: é uma plataforma de tradução humana, movida a inteligência artificial, que, embora sediada em San Francisco, tem sangue português na sua origem. De algum modo, trata-se de um desejo de regresso ao tempo mítico que precedeu a Torre de Babel.

Erasmo, que pugnava por uma língua (europeia) comum, tornar-se-ia sócio da Unbabel e seria um estudante em Erasmus+.

 

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