Ao sabor da maré

Obreiros de milagre

“Quando ele passava pelas ruas, as pessoas diziam que ele saíra da aldeia para ir fazer uma coisa que era muito maior do que que o seu tamanho e do que todos os tamanhos (…)”  narrava assim José Saramago, a bela estória infantil “A maior flor do Mundo”. A maré de hoje traz-nos a FORÇA DO QUERER.

Quem conhece o conto, sabe que moral nos traz. Foi o altruísmo do menino que salvou a flor de morrer de sede. Salvou-a com a água que transportava a muito custo em suas mãos, contudo, mais do que a água, foi na verdade, o seu “acreditar infinito” que tornou possível tal façanha! O seu gesto foi “maior que o seu tamanho e todos os tamanhos” e isso espelhou-se na Flor que cresceu, cresceu… não pela “água sorvida”, mas pela FORÇA arrebatadora do QUERER. O “acreditar” do pequeno infante foi milagreiro! Recordemos um trecho: “O menino desce a montanha, recolhe com as mãos quanta água lá cabia e volta a atravessar , pelo monte se arrasta, e três gotas que lá chegaram, bebeu-as a flor com sede. Vinte vezes cá e lá (…) a flor dava cheiro no ar, e como se fosse uma grande árvore deitava sombra no chão. O menino adormeceu debaixo da flor. Passaram horas (…) Saiu toda a família e vizinhos à busca do menino. Não o achavam (…) já em lágrimas tantas (…) deram com o menino adormecido (…) resguardando-o do fresco da tarde estava uma grande pétala perfumada (…) Este menino foi levado para casa, rodeado de todo o respeito, como obra de milagre” (…).

O herói do conto propôs-se fazer algo todos julgariam impossível; porém a força infinita do querer deu rumo a outra sorte! O altruísmo e o “querer” salvaram a malfadada flor. Estão a ver onde quero chegar, certo? No “novo normal” é preciso querer ser responsável pela mudança. Compreender que não acontece “ao outro” apenas; e acima de tudo que não são os “outros” os responsáveis; somos todos nós. Também nós podemos fazer pequenas “obras de milagre” em nós mesmos e junto da comunidade. Um pequeno passo pode fazer a diferença. Acreditem. Consciencialização está ao alcance de todos. Basta que nos deixemos “invadir pela força do querer”.