Sábado, Fevereiro 28, 2026
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Telemóvel nas escolas: sim ou não?

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Proibir é sempre a primeira tentação, a “solução” mais fácil. No entanto, há uma série de usos legítimos e criativos que o smartphone proporciona à vida escolar.

Gaspar Vaz

Na escola e em todo o lado, o telemóvel tornou-se omnipresente. Se, para os utilizadores, é insubstituível, na mente das pessoas, sobretudo das mais conservadoras, é muitas vezes associado a um perigo. Com efeito, conhecemos histórias de publicações não autorizadas e ofensivas, episódios de bullying, de pressões sexuais, pornografia, sobretudo, infantil. Por isso, a relação da escola com esse “intruso” sempre foi conflituosa, com confiscos mais ou menos frequentes e sua retenção pela escola – mesmo que se tratasse, sempre, de um ato claramente ilegal. Trata-se, de qualquer modo, de um problema que é preciso olhar de frente.

O governo recomenda às escolas a proibição do telemóvel nas escolas dos 1º e 2º ciclo, a adoção de medidas restritivas para os alunos do 3º ciclo e uma regulamentação do uso para os alunos do secundário. Portugal não está só neste domínio, uma vez que Dinamarca, Países Baixos, Itália, Hungria, Grécia, França e Croácia, pelo menos, afinam pelo mesmo diapasão, ainda que com matizes diferentes. Em Itália, a utilização de smartphones e tablets vai ser proibida, mesmo que para fins pedagógicos. Na Dinamarca, em França e na Bélgica haverá neste ano experiências restritivas em algumas escolas, de modo a estudar medidas definitivas no futuro próximo. Com exceção da Dinamarca, há um traço comum a estes países: são governados por partidos ou coligações de direita, conservadores ou de extrema-direita, o que parece querer dizer que os problemas relacionados com o uso do telemóvel, sendo inegáveis, preocupam mais as franjas mais conservadores do espetro político.

Proibir é sempre a primeira tentação, a “solução” mais fácil. No entanto, há uma série de usos legítimos e criativos que o smartphone proporciona à vida escolar. Ora, diz-me a história que, sempre que há uma evolução técnica marcante, ela acaba por se impor, depois de um período, mais ou menos longo, de crises, de adaptação, de regulação, de aprendizagem. Há questões sérias a debater: contextos de utilização e de limitação, importância a dar a competências básicas como escrever e pensar de modo “analógico”, de papel e lápis. Porém, a pura e simples proibição afigura-se-me um erro, um retrocesso. Regulamente-se, mas não se proíba!

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