Perspetivas críticas

O ranking do populismo

Um olhar rápido sobre o Health Map – que espelha, ao minuto, a situação do mundo, em termos de casos diagnosticados de Covid 19. 

O que constatamos? 

Um ranking sintomático:

Estados Unidos – 1 7979 143 casos;

Brasil – 526 447 casos

Rússia – 414 328

Reino Unido – 277 736 casos.

O que é que estes países têm em comum, para além disto? Têm em comum governos populistas, retrógrados, em que a ciência é tratada a pontapé, quando não se verga às opiniões políticas.

É, com efeito, desolador ver um país que povoa o imaginário de muita gente (Estados Unidos) ter à sua frente um louco que manda calar jornalistas, que abandona organizações internacionais, sempre que estas têm um discurso diferente do seu, um louco que afronta tudo e todos com afirmações desconexas e fanfarronas.

É desolador ver um país que fala a nossa língua ter à sua frente um verdadeiro jagunço, alguém que responde à tragédia com convites para churrascos e que monta cavalos em manifestações como se fosse um justiceiro. Ou um patético salvador dos fortes

É desolador ver um país dos mais desenvolvidos em  termos civilizacionais e científicos (Reino Unido) ter um primeiro-ministro que provou do próprio veneno que ajudou a desenvolver.

Noutros tempos, dir-se-ia que isto era um castigo divino. Neste caso, porém e neste tempo, o que estes casos mostram é que há erros humanos podem tomar dimensões épicas, que a insensatez e a estupidez profundas são os maiores perigos que a humanidade enfrenta.

Na verdade, tanto a Covid como todos os verdadeiros desafios que temos pela frente só se vencerão a partir das escolas, das universidades, das instituições que incutem nas pessoas aquele velho princípio socrático, segundo o qual quanto mais sabemos mais vemos o que nos falta saber. Porque os populistas e os fanfarrões, esses, sabem tudo. E raramente se enganam.

[artigo escrito no dia 3 de junho]