Sexta-feira, Fevereiro 27, 2026
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Um País por construir

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Em 2020, 52% dos que trabalhavam em Portugal (mais de 2 milhões e 100 mil) traziam para casa menos de 900 euros líquidos. Só 1,9% ganhavam mais de 2500 euros por mês. Portugal tem 47% de pobres antes das transferências sociais.

Ou seja, quase metade da população depende de formas assistencialistas para sobreviver! Um milhão de pensionistas recebe menos de 300 euros por mês. 35% da riqueza criada no país pelos trabalhadores vai para 4 milhões de trabalhadores, e 41% para 224 mil que vivem de rendimentos do capital. Em 2021, 56,6% dos impostos serão impostos indiretos, o mesmo valor de 2011, são os impostos mais injustos, que penalizam os mais pobres, por serem regressivos – paga mais quem ganha menos.

Mais de 700 mil pessoas em Portugal recebe o salário mínimo. O Prof Pereirinha, no ISEG, calculou o salário mínimo real (rendimento adequado) – ou seja, um cabaz para o qual se aufere o mínimo para viver e repor a força de trabalho, alimentação, habitação, isto em valores mínimos, daria cerca de 1000 euros. O salário mínimo quando foi criado correspondia a um cálculo médio dos gastos de reprodução dos trabalhadores e suas famílias – hoje ele não cobre o mínimo. Temos assim mais de metade da população que trabalha que não recebe o mínimo para viver (recebe abaixo de 1000 euros).

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Se juntarmos os 800 mil desempregados (calculando os oficiais e os que deixaram de procurar emprego) e os pensionistas, temos mais de 70% da população a viver abaixo do mínimo real. Entre 30 a 60% dos trabalhadores em média encontra-se em situação de desgaste, burnout ou sofrimento no trabalho. Entre 2006 e 2008 diminui de 52,3% para 48,6% a percentagem do salário médio pago aos portugueses em reação ao salário médio hora na Europa. A remuneração horária bruta toral era em junho de 2020 6,05 euros. Em 2020 a dívida das administrações públicas correspondia a 160% do PIB.

Tudo isto corresponde a cada vez pior saúde, educação e ausência de qualquer estratégia no sistema educativo científico nacional. Não há um debate sobre o que produzimos, como produzimos, para quem produzimos.

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