Quinta-feira, Outubro 8, 2026
Quinta-feira, Outubro 8, 2026

O imperativo moral do combate à corrupção

Data:

Partilhar artigo:

Por opção democrática, vivemos num estado social, em que os mais desfavorecidos contam com a solidariedade dos mais prósperos.

Gaspar Vaz

Os últimos tempos têm sido conturbados, para os lados de São Bento. E, como a nossa memória é curta, tendemos a considerar que este presente é o mais grave de todos. Já nos esquecemos do BPN, dos Offshores do BCP, do BES e Banif, da “Operação Furacão”, do caso “Portucale”, do negócio dos submarinos (punido na Alemanha, mas “absolvido” entre nós…)?

Porém, a evocação destes casos não absolve nem legitima o que está a acontecer. O caso que envolveu Alexandra Reis e, de um modo geral, a TAP, é, entre todos, especialmente repugnante: Então, uma senhora que é contratada para fazer um ajustamento doloroso, não teve o sangue frio para se blindar com um contrato que previa uma indemnização três vezes superior aos míseros 500.000 euros que levou consigo?  E, por falar em TAP, o que faz, e a que preço, a seráfica Christine? Distribuir dividendos pelos administradores e substituir a frota de viaturas executivas?

Por opção democrática, vivemos num estado social, em que os mais desfavorecidos contam com a solidariedade dos mais prósperos. Estes tendem a considerar-se injustiçados por contribuir para quem “não faz nada na vida” e, infelizmente, não faltam casos que parecem justificar esta teoria. No entanto, todos conhecemos casos de pessoas empreendedoras e talentosas que têm filhos com handicaps gravíssimos. Todos conhecemos histórias de famílias que foram ricas e que, por diversas peripécias, culpáveis ou não, caíram na miséria. Pelo contrário, há três gerações, uma parte da minha família era muito pobre. Hoje, por sorte e por mérito, tudo é bem diferente. Porém, daqui a três gerações, como estarão os meus descendentes? Mesmo não estando presente, eu gostava de partir, sabendo que, aconteça o que acontecer, a sociedade há de proporcionar-lhes uma existência digna.

Região de Cister - Assine Já!

É por isso que os casos de corrupção são especialmente repugnantes. Mesmo que sejam “legais”, configuram um roubo a um futuro mais solidário.

PS – O “Joaquim do Cantinho” partiu sem aviso. Não se faz, Joaquim, até porque, mau grado o teu “mau feitio”, que escondia um grandíssimo coração, toda a gente gostava de ti. Embora não gostasse de pato, as quartas-feiras, a pedido de várias famílias, eram obrigatórias – para além de quase todos os outros dias da semana. Fazes-me / nos falta!

AD Footer

Primeira Página

Artigos Relacionados

Leonel Fadigas apresenta livro sobre as invasões francesas na região

“As Invasões Francesas na Região de Alcobaça: Memória Histórica e Social de Tempos Sofridos (1807-1811)” é o título...

Ceeria realiza obras de melhoramentos no valor de 15 mil euros

O Centro de Educação Especial, Reabilitação e Integração de Alcobaça (Ceeria) está a realizar obras de melhoramento e...

A Guerra do Ultramar… interpertada por quem a viveu

Os idosos da Santa Casa da Misericórdia de Alcobaça, da Associação de Solidariedade Social do Areeiro (ASSA), do...

Aceda ao conteúdo premium do Região de Cister!