Sábado, Julho 11, 2026
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Carnaval da Nazaré

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O entrudo na Nazaré não segue padrões. É uma simbiose entre o velho e o novo com a Nazaré como pano de fundo, sempre

Teresa Radamanto

Se “perguntar” ao Google quais são os carnavais mais conhecidos de Portugal, este dir-lhe-á que são “o de Ovar, Estarreja, Madeira, Loures, Nazaré, Loulé, Sesimbra, Sines, Elvas e Torres Vedras”. Estamos entre os 10 melhores do país! Mas, para quem nasceu e cresceu moldado pelo “tal sentir que não se explica”, o Carnaval da Nazaré está no 1.º lugar do pódio! Na Nazaré, vive-se um Carnaval na orla da modernidade. Vivemos uma osmose entre o tradicional e o moderno, onde reina a renovação de conceitos eternos ao mesmo tempo que se homenageia a raiz tradicional. É um Carnaval inclusivo, de todos e para todos. É uma festa inter-relacional onde impera a partilha geracional. É espontâneo e não profissionalizado, mas onde há o engenho do povo alimentado sempre por amor incondicional. O entrudo na Nazaré não segue padrões. É uma simbiose entre o velho e o novo com a Nazaré como pano de fundo, sempre. Desta junção obtemos universos criativos advindos de mundos de fantasia e outras culturas.

Não podemos deixar de fora a particular veia de inspiração musical, cujo expoente máximo são as já célebres marchas de carnaval. Não podemos falar de Carnaval da Nazaré sem aflorar a mudança de paradigma das últimas décadas – refiro-me à força da mulher no Carnaval e à crescente corrente de bandas infernais no feminino, aos ranchos de fantasia, às danças e ao destacado lugar nas cegadas.

A minha viagem iniciou-se há um pouco mais de 3 décadas. Pisei o chão da Avenida ainda criança, integrando o 1.º carro alegórico construído na Pederneira e não mais parei. Foram muitos os grupos que se seguiram. Ajudei a fundar alguns e até fiz parte do núcleo que participou na “Primeira” marcha de Carnaval – um conceito musical novo trazido no início de XXI. Recordo ter sido a primeira mulher, enquanto solista, a cantar a marcha de um grupo de Carnaval, algo que há 20 anos causou estranheza! Mais tarde as orgulhosas passadas na avenida colocaram-me no palco dos Carnavais enquanto apresentadora dos corsos. É assim a Nazaré no Carnaval. Um turbilhão de sentimentos que nos invadem a alma e cujas palavras jamais conseguirão descrever.

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