Quinta-feira, Outubro 29, 2026
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Mãe atípica

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A dor e o deleite de ser mãe de filhos atípicos é algo nada fácil de explicar. Maio é o mês das mães. A maré de hoje traz a temática “Mães” pelo prisma daquela que é a minha realidade. Nem tudo são rosas na maternidade. Em qualquer que seja a experiência! Convenhamos que é uma função romantizada pela sociedade e que impõe à mulher uma sobrecarga enorme de responsabilidade e tarefas. Ser mãe atípica é isso e um pouco mais! O desafio é ainda maior. Chamar a atenção da sociedade para as necessidades das mulheres que acompanham e cuidam de filhos com deficiência, síndromes ou condições de saúde que afetem o desenvolvimento neuro-psicomotor é imperativo, passo a explicar porquê: Estas mães são vistas pela sociedade como “guerreiras” ou “heroínas lutadoras”, que abdicam da vida para cuidar integralmente dos filhos; contudo, muitas vezes, por trás destas figuras “hercúleas e míticas”, estão mulheres frágeis que enfrentam preconceitos, abandono, sobrecarga de tarefas e abalos profundos na sua saúde mental; e uma imensa falta de políticas que as apoiem e aos seus filhos de forma justa.

Quem cuida destas mães, pergunto? Existe legislação, alguma. Existem apoios financeiros, poucos. Existe empatia e compaixão social, sim, um pouco. Existem apoios suficientes ao cuidador? Não. O burnout do cuidador é uma realidade. Mas, em muitos casos, estas mães não são elegíveis para os ditos “apoios”. Os desafios são mais que muitos; e em quase todos os casos, o primeiro desafio de uma mãe atípica passa por compreender e   aceitar que o seu filho não seguirá o desenvolvimento padrão de uma criança típica. Os outros, entre muitos, são mesmo a falta de políticas e de empatia social.

Os 2 mil caracteres que esta crónica permite não chegam para tanto que é preciso dizer. Porém, que este “pouco” ecoe em vós e se faça ouvir através das palavras partilhadas. A empatia sente a dor do próximo. A compaixão por ela leva à ação. É preciso agir com compaixão e trabalhar a inclusão. No fim de contas, as conquistas diárias dos nossos filhos superam qualquer desânimo; mas não podemos ficar apenas por aí. Somos parte da equação. Somos um todo. Ajamos em conformidade.

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