Passadeira

A minha agenda

Acabou o Carnaval. Alcobaça ressaca. Os miúdos voltam à escola. Eu volto aos textos:

Se eu vos cantasse assim: “Pró Natal de presente eu quero que seja...” quase todos vós, não só os da minha geração, cantariam de volta: “a minha agenda, a minha agenda”. Esta era uma prenda que nem toda a gente gostava de receber. Havia tanta bonecada, roupa ou dinheiro, que quem recebia ficava naquela... todavia, era um presente simpático, colorido e sobretudo com um significado muito diferente do de hoje. Nos natais ou nas festas de aniversário da atualidade, ninguém ousaria dar tal prenda a uma criança. Não só por razões óbvias da era dos telemóveis “espertos”, mas porque desde antes dos 6 anos, a agenda dos nossos filhos já está demasiadamente ocupada para ser uma brincadeira.

 A Escola formatou-se aos horários dos pais que, para pagarem contas, têm de trabalhar pelo menos das “9 às 5”. Já não há turma da manhã, turma da tarde. Há escola todo o dia, 7 horas, com intervalos decerto, mas um horário “adulto” e “responsável”. A essa carga horária, que também pesa nas mochilas, juntam-se as atividades que lhes trazem tantos benefícios menos o do tempo livre para estarem connosco. Finalmente, como não existe pacto social, às vezes vêm trabalhos “para casa” que estendem as horas da escola, invadem as rotinas, aumentando o stress dentro do castelo às horas das refeições, banhos ou sonos. A paixão propalada dos nossos governantes é sempre a Educação! Mas, que estranha forma de amor esta que paga e trata mal os professores; que instala o caos nas famílias a cada mudança de governo; que rouba a infância aos miúdos e os fecha dentro de uma escola quase como prisioneiros.

Mudar é preciso: escrevam isto nas vossas agendas.