Sexta-feira, Junho 12, 2026
Sexta-feira, Junho 12, 2026

“À espera de uma estrela ou, quem sabe, de uma chuva delas“

Data:

Partilhar artigo:

Nestes dias grandes, temos mais tempo para viajar, mesmo que, apenas, com o olhar, que o mesmo é dizer, recuperarmos a capacidade de nos espantarmos.

Susana Santos

“Creio que uma folha de erva não vale menos do que a jornada das estrelas”. Este verso, de Walt Whitman, poeta dos homens e da natureza, parece-me um bom mote para uma crónica de Verão.

Por esta altura, a maioria de nós está de férias ou espera por elas, ou, em tantos casos, observa as férias dos demais, o que é, por si só, uma espécie de parêntesis em relação ao resto do ano, um intervalo nas rotinas e, portanto, o momento para reflectir, ou sorrir, ou as duas coisas.

Nos dias extensos e largos do Verão, a luz intensa convida-nos a ver com mais nitidez. Podemos até olhar para as mesmas coisas de sempre. Mas, se além de olharmos, nos dedicarmos também a ver, tudo o que nos rodeia se pode tornar formidável.

Região de Cister - Assine já!

Seja um búzio que encontrámos na praia, e cuja espiral, essa geometria sagrada, nos pode transportar ao infinito, seja a forma de uma montanha, o contorno de um tronco envelhecido ou, ainda e sempre, o assombroso pôr-do-sol no fim do mar.

É assim com a forma de uma alga que se nos cola às pernas, com o remate de um capitel e é, se o quisermos, com cada coisa que nos rodeia. Nestes dias grandes, temos mais tempo para viajar, mesmo que, apenas, com o olhar, que o mesmo é dizer, recuperarmos a capacidade de nos espantarmos.

Nem sequer é preciso tempo, trata-se de apenas de nos dedicarmos a ver e nos permitirmos emocionar com a forma do céu ou de uma sombra, porque a quantidade de beleza que nos rodeia é, de facto, espantosa. Por isso mesmo, lá vou eu, como todos os verões, passear na Serra d’ Aire e Candeeiros, visitar as praias do oeste e, ainda, revisitar as obras de arte com que tanto a natureza como os homens decidiram enfeitar a nossa terra.

Porém, quando o fizer, tenho a certeza que vou descobrir coisas novas para me emocionar. E quando vier o suão, hei-de deitar-me, de papo para o ar, à espera de uma estrela ou, quem sabe, de uma chuva delas.

AD Footer
Artigo anterior
Próximo artigo

Artigos Relacionados

Quatro histórias, uma certeza: a arte pode (mesmo) salvar

Há coisas sobre as quais nos detemos em busca de uma explicação, mas que teimam não ter uma...

Dezenas de pessoas marcaram presença na inauguração pública do Centro Cultural de Turquel

O novo Centro Cultural de Turquel (CCT) foi inaugurado na tarde do passado sábado, no âmbito das Festas...

Conclusão das obras no IC9 previstas para setembro

Os constrangimentos provocados pelo encerramento do IC9 são uma realidade que tem assolado diariamente os habitantes do concelho...

Projeto de aluno da EPN procura transformar a mobilidade em Portugal

Uma cadeira de rodas de 180 quilos e um País com lacunas profundas ao nível da acessibilidade. Foi...

Aceda ao conteúdo premium do Região de Cister!