Quarta-feira, Maio 6, 2026
Quarta-feira, Maio 6, 2026

Os círculos onde nos movemos

Data:

Partilhar artigo:

Para ler o parágrafo inteiro precisamos de ter acesso ao livro, isto é, ao tempo da pessoa e só então a podemos considerar do nosso círculo

Susana Santos

A partilha constante, irrefletida, e massiva de informação acerca das nossas vidas, das nossas festas, das paisagens que vemos ou dos pratos que saboreamos dão-nos a falsa ilusão de participar de um imenso círculo social, sem restrições, sem fronteiras, onde tudo é acessível a todos e, portanto, escrutinável por toda a gente. Nada de mais ilusório, atrevo-me a dizer. As pessoas movem-se sempre em círculos pequenos, mesmo quando exibem uma personagem pública que parece ocupar todo o seu tempo. O que vemos nas redes sociais, no caso dos anónimos ou nos demais meios, no caso daqueles que têm ocupações mais públicas, são sempre instantâneos de um tempo que desconhecemos a menos que façamos parte desse seu círculo.

Mesmo quando se trata de um vídeo ou de um discurso ou de uma opinião, o que nos é dado a interpretar será apenas uma palavra num texto que permanece difuso. Para ler o parágrafo inteiro precisamos de ter acesso ao livro, isto é, ao tempo da pessoa e só então a podemos considerar do nosso círculo.
Serve esta reflexão para temperar a falsa sensação de proximidade que tão facilmente assumimos quando na nossa mão, nessa nova extensão do nosso corpo que é o telemóvel, nos aparece a mesa, o rosto ou a voz da pessoa que avaliamos.

Como tudo nos chega reduzido à pequena dimensão de um retângulo, tendemos a dar a mesma importância a todos os episódios e personagens que acompanhamos no nosso pequeno écran, mas, mais uma vez me atrevo a dizer que não, que só o tempo, esse admirável escultor, como diria Yourcenar, pode moldar a verdadeira forma que cada um vai assumindo na memória do outro.

Região de Cister - Assine já!

Assim sendo, creio que agora, mais do que nunca, devemos estar atentos ao diâmetro dos vários círculos onde nos movemos, não vá dar-se o caso de confundirmos a nossa pequena esfera, com essa outra, global, onde cabem todos os que têm existência virtual incluindo os novíssimos seres digitais, totalmente inventados por nós.

AD Footer

Artigos Relacionados

Casas no litoral à venda por três mil euros o metro quadrado

Comprar casa no litoral de Alcobaça e Nazaré é cada vez mais caro. Na Nazaré, o preço médio...

Diana Azevedo vai ser a primeira mulher à frente da Capitania da Nazaré

A capitão-tenente Diana Oliveira Martins Azevedo foi nomeada para o cargo de capitão do Porto da Nazaré, com...

Porto de Mós, Nazaré e Alcobaça em destaque no índice de presença digital autárquica

Os municípios de Porto de Mós, Nazaré e Alcobaça destacam-se no estudo “Presença na Internet das Câmaras Municipais...

Memória dos combatentes perpetuada em Famalicão

A memória dos antigos combatentes de Famalicão ficou inscrita no espaço público no dia 25 de Abril, com...

Aceda ao conteúdo premium do Região de Cister!